De branquidão

•fevereiro 12, 2012 • Deixe um comentário

De branquidão

a folha em branco
permanece em branco
não tenho nada pra dizer agora
pois não sei o q acontece
no entanto
a folha em branco
me tenta a dizer
que meu pranto
já pode cessar
já que ela
estará sempre em branco
pra gente como eu
perdida como eu
maluca como eu
poder rabiscar

Ocitocina

•novembro 23, 2010 • Deixe um comentário

Senti meu corpo pulsando.

Uma ansiedade tamanha, uma inquietação, algo incontrolável.

Tentei disfarçar, pensar em outras coisas. Tomei um café.

A perturbação não passara.

Resolvi caminhar, uns pães de queijo com requeijão me deixaria feliz.

Não.

Não deu certo.

Faz oito dias. Oito dias de abstinência. Mas não é esse o problema.

Não estou sentindo falta disso.

Mas do que vem depois.

Meu corpo pede.

Pulsa inquieto, descontrolado.

Se não tenho controle sobre meu próprio corpo, sobre o que terei então?

Treinar a mente, mudar o cérebro.

Tenho tantas coisas a fazer e agora o descontrole é imenso.

Estou nervosa.

Olho pra cama.

Já posso sentir.

Um pensamento, uma lembrança, uma letra e estremeço.

Menos de um minuto e já consigo controlar meu corpo de volta.

Adrenalina, noradrenalina, ocitocina e prolactina.

Agora posso voltar ao que estava fazendo…

Vida

•novembro 21, 2010 • Deixe um comentário

São muitas as minhas limitações, mas depois de uma tentativa de suicídio e outra que foi impedida graças a uma das pessoas mais loucas que eu conheço, descobri o quanto eu sou limitada.

Não posso mudar o mundo, não consigo me conformar com o modo que as coisas acontecem, mas hoje vejo claramente que as coisas estão neste pé porque eu deixei.

Eu transformei minha vida em um inferno, quando não dei ouvidos aos meus amigos, que percebem qualidades que a mim não são nítidas e me alarmaram mesmo que sutilmente sobre o caminho tortuoso que estava seguindo.

Passei de fases estagnadas, onde  absolutamente nada acontecia, para outras em que tudo acontecia em um ritmo frenético, sejam boas ou ruins. Tudo muito intenso. Amizades, paixões, raiva, arrependimento, tristeza. O que doía mais era sempre essa tristeza, essa melancolia, essa falta de alma e de vontade de fazer algo melhor. De fazer por merecer algo melhor.

E desperdicei todas as chances, absolutamente todas. Afastei as pessoas que mais amava e  tomei  o   trem com destino ao fundo do poço. Embriaguei-me, torturei -me e tudo isso pra quê?

Nada nessa vida é mais doloroso do que perceber que você tem 25 anos e não tem nada. Não fez nada de realmente bom, nada do que possa se orgulhar, nada que possa ser reconhecido mesmo depois da morte.

As escolhas que fiz, foi pensando sempre no agora, sempre no meu bem estar. Fugir daquilo que me faz mal, fugir das críticas, não me expor, me limitando não corria o risco de cair no ridículo.

Tantas vezes pensei em dar cabo dessa vida, mas sempre uma força estranha que não vem de mim, ou talvez venha, essa força que move o mundo, não permitia. E mesmo nas horas mais desesperadas me sentia covarde de não conseguir fazer algo tão simples. Colocar um ponto final em uma história fadada a não dar em nada. A minha vida estava fadada a nada.

E mesmo o destino colocando pessoas maravilhosas no meu caminho, pessoas inteligentes, pessoas admiráveis, pessoas dedicadas, nada disso era o suficiente para me tirar do fundo do poço.

Foi preciso ficar muito doente. Doente da alma pra poder enxergar aquilo que está bem na minha frente. Enxergar que o inferno pelo qual estou passando é fruto direto das minhas escolhas.

Posso dizer que tive a iluminação. Consegui enxergar outras opções, onde a raiva e o desespero não podem ter vez. E foi assim que passei minha vida. Na ânsia de viver dias melhores, me desesperei, deixei que sentimentos ruins tomassem conta da minha vida. Entrei em estado de melancolia, onde nenhuma atividade sóbria me dava prazer.

Eram necessárias as bebidas mais fortes, para resistir a uma noite ao lado das pessoas. Ouvindo as mesmas estórias, as mesmas músicas, freqüentando os mesmos lugares com as mesmas pessoas. Raramente algo novo.  E o que era surpreendente, era imediato. Logo passava, junto com o álcool no dia seguinte.

Os homens? A estupidez encontrada em homens embriagados em Curitiba é tamanha que ao ver um homem bonito na noite, pensava “Pelo amor de Deus que ele não fale muito”, porque  da boca destes cidadãos surgia uma enxurrada de besteiras e de mentiras como uma cachoeira.

As mulheres? Conformaram-se com a péssima qualidade de assuntos, companhias, bebidas. Estão todas imersas, assim como eu estava em um mundo onde os gatos são pardos e as paixões duram até a próxima gozada.

A noite em Curitiba virou uma tortura. Só o Jack salvava.

Então desisti dos bares e comecei a dormir. Dormir, comer e engordar.

Não assisto TV, infelizmente nem os noticiários e meu pior veneno está o tempo todo na minha frente. O computador com a perigosa internet que já me levou horas a troco de nada.

E dos pecados capitais a preguiça para mim é minha pior companheira.  Fui me perdendo entre os trabalhos da faculdade e não dando conta das pequenas tarefas que a mim eram incumbidas. Fui um desastre em todos os sentidos.

Sem falar no meu trabalho, uma porcaria de trabalho de meio expediente, onde não preciso usar a cabeça além de fazer pequenos cálculos e alguns serviços braçais que me envergonham.

Minha vida é como uma prostituição. Faço pouco, ganho pouco, acho que faço muito, me limito.

Não consigo dar conta de pequenas tarefas, como limpar e manter meu quarto organizado, mesmo tendo a manhã toda livre. Nunca consigo acordar no horário que quero e quando consigo, meu querido vício cibernético trata de me atrasar com alguma estória espetacular ou algo nem tão interessante assim. Tenho muitas roupas para doar e vender e não consigo organizar e sair atrás disso. Fora outras coisas que vivo postergando que já não me lembro mais.

Nessas horas me pergunto. Porque ainda estou viva? Porque me tornei um parasita? Onde foi parar todo aquele talento que tinha. Onde foi parar minha coragem? Até que ponto deixarei essa doença corroer meus dias, minhas horas, minha vida?

Para completar tenho passado por experiências terríveis durante o sono e as vezes quando estou acordada. Simplesmente não sinto meu corpo. A paralisia vem do começo da espinha, atingindo todo o pescoço, os músculos faciais até chegar aos pés.  Meu corpo não aceita os comandos do meu cérebro. Fico cinco, dez e da ultima vez vinte minutos sem poder me mexer. Em uma espécie de transe agonizante.

Nesta ultima vez, quando o transe durou 20 minutos, foi durante um ritual xamânico. Pelo período de quatro músicas aproximadamente, meu cérebro não conseguiu comandar nenhum movimento, exceto meus olhos.

E a sensação de poder enxergar, ouvir e não se mover nem falar é extremamente agonizante. Não desejo a ninguém essa experiência. Uma impressão de estar presa dentro de si mesma.

Mas isso me fez pensar. Me fez valorizar pequenas coisas que na realidade são imensas. O ato de falar, de se mover. Poder interagir.

Viver como um vegetal, não é fácil!  Você pode ouvir, pode enxergar, mas não pode tocar, não pode sentir. É vergonhoso pensar que passei tanto tempo da minha vida se lamentando por pequenas coisas, se o mais espetacular está bem aqui na minha frente.

O fato de poder escrever, de poder comandar meu corpo. O livre-arbítrio.

Viver é sagrado. Não exige Deus, não exige religião, não exige doutrina.

A escolha esteve em minhas mãos o tempo todo. Eu fiz o inferno em que vivi. Mas tive uma iluminação.

Está em minhas mãos escolher o caminho a seguir.

Posso continuar errando.

Ou posso desistir.

E desistir é o melhor caminho, pois estarei desistindo da vida que levei até hoje e começarei do zero a partir de agora, aproveitando o dia, lendo mais, sorrindo mais, mantendo-me sóbria, amando mais e afastando as pessoas e coisas que me fazem sofrer.

Minha casa está aberta para o bem. Minha casa sou eu.

Enquanto tiver a mim posso desistir quantas vezes for.

Para depois recomeçar.

Tropeçando…

•outubro 26, 2010 • Deixe um comentário

Já não estou em condições de escrever nada útil, mas um sinal veio me lembrar da minha missão.

Desde pequena, soube que seria jornalista. Adorava ler, escrever, pesquisar. Era curiosa e questionadora.

Minha professora do primário a “tia Zuleide” dizia a todos que um dia, ela receberia meu livro autografado. Mas esse livro ainda não surgiu.

Não achei tema.

Tenho certeza que ainda tenho muita coisa pra ler e cada vez ficará mais difícil achar que algo que eu possa escrever seja realmente bom.

Queria escrever crônicas, talvez contos. Li muitas crônicas na minha adolescência acho mais fácil que escrever um livro.  Um romance? Uma biografia?

Uma looserbiografia…

Estou muito triste, muito triste mesmo. Talvez por isso tenha voltado a escrever.

Estava escutando Caetano, quando ouvi uma música chamada “Livros”. Muito linda por sinal. Deu vontade de escrever.

Nunca consegui escrever uma música.

Eu simplesmente travei.

To precisando destravar.

E ando muito assustada.

Tem que ter muita coragem pra soltar esse desabafo na rede, mas é um treino, pra quando escrever algo de verdade, me preparando pras críticas.

Sinto-me estranha.

Sexta no Blues

•julho 14, 2010 • 1 Comentário

Na ultima sexta, dia 09 de julho, trabalhei pela primeira vez no Blues Velvet de Curitiba, bar vizinho e concorrente da minha segunda casa Wonka Bar. Situados na Trajano Reis, já conhecida como a “Rua do Suingue”, presenciei um dos shows mais inusitados da minha vida.

Mas antes de falar sobre isso, deixem explicar exatamente como fui parar na concorrência. Pra quem não sabe Lu Manson é bartender nos fins de semana há quase três anos. E durante esse tempo comandei o bar de cima do Wonka com toda minha espontaneidade e para muitos (desafortunados) com meu súbito mau humor.

Por conhecer todo o público underground, acabei tornando-me amiga de meus clientes, e dessa forma o bar Wonka tornou-se local pontual para minhas bebedeiras em dias de folga. Na quarta-feira dia 30 de junho não foi diferente. Acompanhada do meu grande amigo delícia Thiago e do meu delicioso drink Bucowski (wodka com chá de pêssego), encontrei nada menos que o fascinante proprietário da concorrência e nos colocamos a discutir os erros do Blues Velvet.

Por minha conta, já estava bem alegre, devido ao Happy Hour que tinha feito anteriormente com duas amigas no Luzitanos, um tradicional boteco situado no bairro do Cabral. Dessa forma, minhas críticas foram ferrenhas em relação a pequenos pontos que eu discordava em relação à concorrência.

Pensando dessa forma, meu querido concorrente, deveria me odiar, ou ao menos me achar uma crítica idiota e bêbada, afinal o que uma bartender tão jovem entende de bar? Mas surpreendentemente, ele se interessa por toda essa sinceridade impulsiva descarregada com o único intuito de ajuda-lo a fazer algo melhor por seus clientes. Resultado: Quando menos esperava já estávamos nos beijando e agora faço parte da equipe Blues Velvet.

E agora, posso contar da minha primeira experiência, no bar que já não é mais concorrência. Giovaneides. Esse é o nome da banda que realmente me surpreendeu. Em uma sexta-feira com a casa lotada, preparei caipirinhas com trilha sonora de Faichecleres e Pelebrói Não Sei, duas bandas que fizeram história no cenário underground de Curitiba. Além disso, o repertório contou com rock gaúcho da melhor qualidade, com músicas de Replicantes, Wander Wildner, TNT, Cascaveletes e Júpiter Maçã.

Lembro que fiquei enlouquecida com “Quase um alcoólatra” e senti uma certa nostalgia de uma época que nem vivi, mas que gostaria muito. Até Erasmo Carlos “apareceu” embalando minha estréia no vizinho. A noite foi espetacular e espero que as quase duzentas pessoas que compareceram tenham se divertido ao menos metade do que eu me diverti. E olha que eu estava trabalhando! E como trabalhei. Clientes ensandecidos por cerveja. Mas é divertido, é uma das partes que mais gosto. Casa cheia, música boa, energia e um público embriagadamente feliz.

 

Plataforma 6

•julho 5, 2010 • Deixe um comentário

Não vou à estação de trêm me despedir
Não vou me mostrar na plataforma 6
Você me deixou na mão, a imaginar
Minha imaginação, faz você retornar

Plataforma 6

Venêu e plasticina, litros de lamolina
Cremes lubrificantes, nitroglicêrina

Plataforma 6

Obs: Acho que me apaixonei.

Amnésia querida

•julho 1, 2010 • Deixe um comentário

Que saudades de você. Porque me abandonaste? Éramos tão felizes juntas, não se lembra? Quantas manhãs sombrias tu me acompanhaste, colocando um ponto de interrogação em minha cabeça. Permitindo que eu sobrevivesse apesar de tudo.

 

Mas e agora?

 

Agora me lembro de tudo. Assumo os pecados e como é dolorido. Como é doloroso!

Querida amnésia, isso não é digno. Não é digno da sua parte. Permitir que eu sofra assim. Não acredito que você realmente me abandonará.

 

Como sobreviverei assim? O que vai ser de mim? O que vai ser de mim?

Não estar só

•junho 29, 2010 • Deixe um comentário

Ando tão só. Lamentavelmente.

E não consigo achar um ponto, uma ferida pra drenar e sugar a literatura que está aqui.

Pulsa aqui.

Mas não encontro a brecha.

Onde estará?

“A solidão reúne o que a sociedade separa.” Albert Camus

•junho 17, 2010 • Deixe um comentário

Meus dias de vândalo

•maio 16, 2010 • 1 Comentário

Como eu me defendo desse sentimento de inadequação
Que me destrói por dentro, pro qual eu não vejo explicação?

Assim que os meus dias de vândalo terminarem,
eu sei que me levarão pro céu
E farão com que eu narre os meus escândalos
sem que eu me gabe,
com o constrangimento abatido de um réu

Jair Naves

 
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